9 de nov. de 2011

MORRE UM CINEGRAFISTA ................... (Ou morreu a TV?)

Repórter da TV Bandeirantes chorando pela morte do colega.
Outras TVs "cobrem" o fato. Vida e Morte são mero show televisivo.
Nos últimos dias nossas casas tem sido invadidas reportagens sobre a morte do cinegrafista da Rede Bandeirantes, quando cobria uma ação policial no Rio de Janeiro.

A polêmica gira em torno de muitos fatos: se o colete era adequado para tiros de fuzil; se a Band TV mandou ou não o cara para a morte; se a polícia deveria ou não tê-lo protegido; se o RJ virou faroeste, e por aí vai.

Diz um ditado popular que "quem sai na chuva é pra se molhar".

E nos últimos anos, o jornalismo brasileiro, principalmente o televisivo, saiu na chuva.

Movidos pela ânsia de audiência - que se reflete positiva ou negativamente nos lucros das empresas - o jornalismo virou bandalheira. Os Datenas da vida se proliferaram país a fora, tendo seus contratos medidos a peso de ouro. Assisto TVs locais (do RS) e lamento que este jornalismo de esgoto tenha por aqui aportado também. Record RS e Band RS tem no final de tarde seus protótipos de datena, contando as desgraças "dali da nossa esquina".

O mundo, senhores, certamente não é um mar de rosas e o ser humano "amoroso" dos nossos poetas talvez sequer exista. Mas isso é outra discussão.

Esta espécie de jornalismo propõe mostrar "a verdade nua e crua". E tenta nos dizer que é isso mesmo que devemos e queremos ver. A guerra televisionada, ao vivo e a cores, com tiros de bala, morte, sangue, explosões. Cinema ao Vivo!  Transformam policiais em "rambos", swarzeneggers. Roupas pretas, capacetes, escudos, caveirões, música empolgante ("tropa de elite osso duro de roer...").

Tentam nos fazer crer que a vida lá fora é um inferno, faroeste. Que o Rio de Janeiro, ou a "vila" em Porto Alegre, por exemplo, são zonas de guerra. Que tudo é caos, e sobre o "caos" é preciso impor a "ordem".

Pobres moradores do subúrbio, todos reduzidos a bandidos, por não conseguir morar num bairro "melhor". E tome bala, e invasão de suas casas, de suas ruas, e violência policial, e supressão de seus direitos!

E o que faz a TV? Ela quer mostrar o caos. Quer mostrar a bala sendo disparada. Quer mostrar o "meliante" ser abatido, como um animal pestilento que precisa ser sacrificado.

E para mostrar isso, para satisfazer seu desejo de audiência e lucro, manda seus homens: cinegrafistas, repórteres, motoristas.

Agora, observemos a foto acima. 

Um cinegrafista atrás do policial. Não sei se é o morto, mas era assim que ele estava quando morreu. Tentava mostrar a mesma visão que o policial tem. Do quê? Para quê? Isso é jornalismo? Que relevância terá aquela imagem para uma reportagem séria sobre uma ação policial? Nenhuma....

Ela serve apenas para mostrar mais um "animal" sendo abatido.

Mas como diz outro dito popular: UM DIA É DA CAÇA, O OUTRO É DO CAÇADOR!

Cada um que chore seus mortos.

Um comentário:

  1. Tudo bem, concordo contigo. Faço só um reparo; alguém que assiste tais programas o faz obrigado? Não! Se não existisse gente mórbida deste tipo o programas nem seria exibido!!!Portando a culpa de tudo é do próprio ser humano.

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