Militares reafirmam críticas a Dilma, afrontam Amorim e condenam Comissão da Verdade
Do Sul 21:
Militares da reserva reforçaram nesta terça-feira (28) os recentes
ataques feitos por clubes militares à presidenta Dilma Rousseff e
afirmaram que não reconhecem autoridade no ministro da Defesa, Celso
Amorim, para proibi-los de emitir opiniões. As informações constam em
nota assinada por 98 militares e intitulada “Eles que Venham. Por Aqui
Não Passarão”.
“Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto do dia
16″, afirma a nota divulgada ontem, que lembra que o texto anterior foi
tirado da internet “por ordem do ministro da Defesa, a quem não
reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo”.
Agora, os militares dizem que o “Clube Militar [da qual a maioria faz
parte] não se intimida e continuará atento e vigilante”.
O documento critica fortemente a Comissão da Verdade, que apontará,
sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos
na ditadura. Aprovada no ano passado, a comissão apenas aguarda a
indicação dos membros para começar a funcionar. “[A comissão é um] ato
inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com
o beneplácito, inaceitável, do atual governo”, diz o texto, endossado
por 13 generais.
Apesar de fora da ativa, todos ainda devem, por lei, seguir a
hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos. O
novo texto foi divulgado no site “A Verdade Sufocada”, mantido pela
esposa de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército e
um dos que assinam o documento. Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (aparelho
da repressão do Exército) em São Paulo, é acusado de torturar presos
políticos na ditadura, motivo pelo qual é processado na Justiça.
A atual nota reafirma o teor de outra, do último dia 16, na qual os
clubes Militar, Naval e de Aeronáutica fizeram críticas a Dilma, dizendo
que ela se afastava de seu papel de estadista ao não “expressar
desacordo” sobre declarações recentes de auxiliares e do PT contra a
ditadura. Após mal-estar e intervenção do Planalto, de Amorim e dos
comandantes das Forças, os clubes tiveram de retirar o texto da
internet.
A primeira das três declarações que geraram a nota foi da ministra
Maria do Rosário (Direitos Humanos), para quem a Comissão da Verdade
pode levar a punições, mesmo com a vigência da Lei da Anistia. Depois,
Eleonora Menicucci (Mulheres) fez em discurso “críticas exacerbadas aos
governos militares”, segundo o texto. Já o PT, em uma resolução, disse
que deveria priorizar o resgate de seu papel para o fim da ditadura.
Com informações da Folha de S. Paulo

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