17 de fev. de 2012

Paulo Freire banido



O livro Pedagogia do Oprimido, do educador brasileiro Paulo Freire, foi banido das escolas públicas de Tucson, no estado do Arizona, sudoeste dos Estados Unidos da América (EUA).

Seguindo a lógica antilatina que marca as recentes decisões jurídico-políticas no estado, agora uma lei suspendeu o currículo baseado no Programa de Estudos Mexicanos/Americanos, que durante uma década ajudou a conscientizar os alunos das suas raízes culturais.

Lembrando que 10,3% da população dos EUA é composta de “chicanos” e 30% da população da cidade de Tucson apresenta a mesma origem étnica.

Em meados de janeiro, os livros de Paulo Freire, assim como os de Elizabeth Martinez, Rodolfo Corky Gonzales, Arturo Rosales, Rodolfo Acuna e Bill Bigelow foram retirados do programa e proibidos pela Secretaria de Educação de Tucson de serem aplicados, em cumprimento à lei estadual que considera os estudos mexicanos “doutrinadores” e “portadores de um único ponto de vista”.

Para justificar a medida, o secretário da educação do Arizona John Huppenthal disse que, ao visitar uma escola em Tucson, notou que Che Guevara era tratado como um herói, inclusive com direito a pôster numa das salas de aula, enquanto que Benjamin Franklin era considerado racista pela turma. Huppenthal julgou intolerável que o termo “oprimido” do livro de Paulo Freire fosse inspirado no Manifesto Comunista de Marx e Engels, “que considera que a inteira história da humanidade é uma batalha entre opressores e oprimidos”, criticou o secretário.

A suspensão do programa priva os alunos de compreenderem melhor os fatores históricos da ocupação do território onde vivem (parte do Arizona pertencia ao México e foi anexada pelos EUA), além de impedir o contato de uma inteira geração com o método emancipador de Paulo Freire.

O que não percebem os que executam a educação “bancária”, no termo usado por Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido, é que nos próprios “depósitos” se encontram as contradições. E, cedo ou tarde, esses “depósitos” podem provocar um confronto com a realidade e despertar os educandos contra a sua ”domesticação”.

Silvio Mieli é jornalista e professor universitário.

2 comentários:

  1. Depois dessa, até fiquei querendo ler o livro...

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  2. Levando em consideração que Freire era brasuca e seus livros e suas teorias foram baseados na necessidade de seu povo, teve como referência e idealização uma educação libertadora para seus conterrâneos, creio que pelo menos se aki não conseguiu por muito tempo tal benfeitoria pois o sistema não estaria como está hj com certeza... pelo menos Paulo Freire foi utililizado por 1 década lá nos Estates lembrem-se que eles ainda são considerados países desenvolvidos na área da educação... e fizeram lá o que Paulo Freire tentou por pouco tempo implantar aki no seu país, infelizmente com uma educação falida e desacreditada saiu do país amado e foi distribuir suas sementes ao mundo, acredito que tenha raízes fortes em outros pontos do planeta onde pessoas acreditaram no seu potencial como mediador do conhecimento e mudaram a forma de pensar fazendo com que os menos favorecidos em cultura e educação não fossem usados como depósito de ideologias de interesses da classe dominante, o que nos mostra na reportagem acima aceita por 10 anos na cidade citada, e aqui quantos anos Paulo Freire foi utilizado e respeitado no seguimento de sua "Pedagogia do Oprimido"? Creio que se estivesse vivo hoje mudaria o título para "A Pedagogia dos Deprimidos" tanto para quem educa tanto para quem aprende, pois mesmo tendo amor e vocação para estudar a Pedagogia e tentar se agarrar aos diversos livros na faculdade estudando(FREIRE) vemos que na prática o discurso muda e muito, é um salário de 590,00, 4 anos de estudos (pagos), trab. provas para corrigir(em casa)de 4 turmas com um total de 80 alunos, seria fixinha pra qquer um que acha que vida de prof. é mamata. Sem falar que o ex-pres. Lula criou uma lei que aumentava gradativamente o perc. de rejuste do salário dos prof. dependendo do nº de alunos que freq. as escolas, até essa lei se negam a atualizar e regularizar para os prof. tanto municipais quanto estaduais, me pareçe que o governador atual é da cúpula que consentiu a lei na época com o Lula mas agora no seu pleno exercíco fica enrrolando pra pagar ou ofereçe suaves prestações de 36 meses,creio que o amigo aí de cima se ler o livro não se decepcione ou quem sabe queira se juntar a nós nesta luta sem final feliz pelo que estou vendo. Valeu pelo suporte blogueiro Freidianos agradecem a lembrança...

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