20 de nov. de 2013

Direito de Resposta: COMDICA e a visita ao Sol Vermelho.


Recebemos um gentil pedido do presidente do COMDICA, Sr. Júnior Guimarães, para que o blog publicasse esclarecimento quanto à visita dos membros do Conselho ao projeto Sol Vermelho na Associação Te Yang de Taekwondo.

O post que gerou o pedido do presidente foi sobre matéria publicada no Jornal O Fato em Foco da última semana. Clique Aqui para Ler . O texto da NOTÍCIA do jornal foi reproduzido na íntegra. O presidente constesta a OPINIÃO do blog.

Conforme esclarece o presidente, a visita na qual estavam os membros do conselho (Júnior Guimarães e Eunice Valim) e o secretário da assistência social Israel Guimarães,  NÃO foi de partidários do prefeito Quartinho (ou a pedido deste), mas SIM de membros do Conselho (COMDICA), que assumiu como único compromisso conversar com a secretária da Educação (Alda Glaciela) sobre o projeto.

Esclarece ainda que, segundo informações que obteve, a matéria teria sido produzida pela associação Te Yang e não pela assessoria de imprensa do prefeito, esclarecimento que entendemos ser irrelevante para preservar a imagem do Comdica.

Reiteramos nossa fé no projeto e no esporte em geral. E, por isso, nos regozijamos com o interesse do Conselho no projeto e torcemos todos para que a conversa com a secretária da educação traga bons frutos às nossas jovens crianças.

Abaixo reproduzimos na íntegra a mensagem do presidente ao Blog:

A visita do COMDICA ao projeto foi definida em reunião do mesmo, por TODOS os membros, a convite do mestre. Procure saber quem são estes e de quem são partidários. Não foi uma visita feita a pedido do prefeito para renovar ou fazer compromissos. O único compromisso firmado foi do órgão, através do seu presidente, conversar com a secretária de Educação sobre o projeto. Ainda, pelo que sei, a notícia teria sido PRODUZIDA pelo mestre José, o que ele nos disse que faria. A foto é da máquina da academia, pois eu estava lá e sei quem a registrou. Exijo que os responsáveis escrevam uma nota de retratação, corrigindo estas informações. Não peço pelo governo, mas pela imagem do COMDICA. Caso contrário estarei comunicando a promotoria. Atenciosamente, Junior Guimarães, presidente do COMDICA.

14 de nov. de 2013

Projeto Sol Vermelho volta a ser prestigiado


Marginalizado no início do governo Quartinho, o projeto Sol Vermelho, que é desenvolvido pelo Mestre José Fernandes parece que voltou a interessar a administração municipal. Segundo notícia o Jornal OFatoemFoco desta semana (texto ao final), partidários do prefeito estiveram visitando a Associação Te Yang e deixando as crianças esperançosas quanto futuro do mesmo. 

Já não era sem tempo.  No início deste ano, uma nota publicada na imprensa pela secretária da educação dava um tom de menosprezo e quase conflito com os promotores do projeto, visto que questionava o valor aplicado e sua eficiência. Diz-se que houve, inclusive, redução no investimento e no numero de crianças atendidas pelo projeto.

De se lamentar. Enquanto todas as linhas educacionais - e nos governos em geral - entende-se que a prática do esporte como inclusiva e benéfica ao desenvolvimento das crianças, em TC tentava-se deixar de lado um exemplar projeto didático-esportivo. Mas, pelo menos por hora, parece que o bom senso tem prevalecido.

Abaixo a notícia publicado no jornal:

No último dia 8, Junior Guimarães (presidente), Eunice Valim (vice presidenta), e Israel Guimarães (secretário da assistência social), conselheiros do COMDICA de Três Cachoeiras fizeram a visita às crianças do Projeto sócio educativo de Taekwondo, que é desenvolvido na sede da Associação Te Yang de Taekwondo pelos professores Willian Maicá, Bianca Maicá e Mestre José Fernandes. O projeto leva o nome de Sol Vermelho, os professores sentiram-se honrados e felizes com a visita e com o que ouviram dos visitantes, as crianças ficaram esperançosas de melhorias que poderão ocorrer no projeto.

Nota do Blog: Só espera-se que não fiquem apenas na foto para o noticiário positivo produzido pela assessoria de imprensa do prefeito.

PALAVRAS VIRAM LIXO *


Um dia depois do outro. No ano passado, por essa época, se ouvia muitos discursos inflamados e raivosos: "essa cidade está um lixo". Ou ainda: "onde está essa Prefeitura que não faz nada". Mais: "a prefeitura está cortando tudo". Isso tudo, é claro, ainda era influencia do período eleitoral.
 
Consultado os gurus, a palavra de ordem era "avacalhar", "esculhambar" e rebaixar ao "rés do chão".Poderia ser legítimo se não fosse jogo maldoso. A ideia era preparar o terreno do caos para a vinda do "messias", do "salvador da pátria".
 
Mas o enviado era capenga. Virou, e ainda é, motivo de gozação constante.
 
Como deve ser míope, sua falta de visão o faz mais prepotente a cada dia que passa. Coisas da democracia eleitoral que transforma possíveis cidadãos em simples eleitores alienados e cria "monstrinhos" tipo RBS para disfarçar a realidade. Infelizmente chega-se a constatação de que além do lixo tradicional as palavras viram lixo também.
 
Primeiro são amputadas, no sentido gramatical. Depois são descartáveis. Será que algum dia  conseguiremos reciclar as palavras, já que o papel aceita tudo? Ou a covardia reinará insistentemente, reforçada por homens e mulheres sem palavra? O "bicho-papão" esta solto. E parece que anda papando os recursos do município.
 
Dinheiro tem mais esse ano do que no ano passado. Muito mais. Mas por que as coisas não acontecem, as obras não andam e a cidade está um lixo e as escuras. Será que vai pegar mal uma nova contratação emergencial - de uma empresa amiga- para limpeza com valor acima de R$ 100.000,00 em menos de um ano.
 
Falta coragem, competência ou o quê?
 
Nesses belos fins de tarde de primavera, ótimos para uma caminhada, tome cuidado no seu trajeto para não cair num buraco de rua ou de calçada. Quando tem calçada, já que a fiscalização da prefeitura nesse setor é vergonhosa.
 
Cuide também para não tropicar no lixo espalhado pelas ruas. E quando as obras particulares tomam conta da calçada e da rua, passar por aonde?
 
E as obras públicas inacabadas. Qual é a desculpa da semana. Pavimentações de ruas pela metade, já se esburacando ou interditadas com galhos, restos de obras e, como não podia faltar, lixo, muito lixo. Se a caminhada for noturna, não esqueça de levar uma lanterna.
 
Melhor se prevenir.

(*) Professor Eduardo Mattos.(reproduzido do Jornal o FacoemFoco)

12 de out. de 2013

QUARTINHO, NOSSO JÊNIO




Stanislaw Ponte Preta inventou, nos atos 60/70, o FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País) que tinha como característica simular notas jornalísticas, parecendo noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar, já presente nos primeiros Atos Institucionais da milicada. Numa destas notas, noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião. 

Por aqui, já tivemos uma célebre (HIS)Estória contada de que um prefeito, indignado por ter que colocar uma caixa dágua no morro em atenção à lei da gravidade, teria dito que mandaria revogar tal lei, para que se colocasse a caixa dágua onde bem lhe aprouvesse.

Lendas urbanas...(?)

Mas lembramos do FEBEAPÁ por causa de uma notícia recente divulgada por aí: por iniciativa do prefeito Quartinho a câmara de vereadores teria aprovado uma lei autorizando tomar empréstimo para asfaltar alguns metros de ruas na cidade. Não sabemos a cifra exata, mas fala-se em R$ 700 mil. O empréstimo ainda não foi tomado, mas já pode ser.

Como se vê, uma Merreca! É só o mesmo valor que vai custar nos 4 anos de governo o aumento dado aos nossos amigos secretários....

É que tem notícias que, aparentam as falsas notícias irônicas do FEBEAPÁ. Parece até que temos o nosso FEBEATEC – Festival de Besteiras que Assola Três Cachoeiras. Se bem que, não estamos longe disso...

Quartinho, de fato, é o nosso Jênio (sim, assim mesmo, é um gênio muito especial, com “J”).

Já faz alguns anos que as portas e os cofres do governo federal se abriram aos municípios. Seja por meio das – perversas mas necessárias - emendas parlamentares ou mesmo diretamente com os ministérios, onde foram criadas legislação e estrutura operacional para receber e atender as demandas dos municípios, através de PROJETOS APRESENTADOS.

Coisa simples: gestão eficiente, capacidade técnica profissional e alguma articulação política fazem cair nos cofres municipais grana para melhorias em todas as áreas, principalmente de infra-estrutura urbana.

E, o melhor: SEM TER QUE PAGAR NADA(!) além de uma pequena contrapartida, geralmente um percentual muito pequeno do valor da obra.

Mas, para fazer melhoria urbana (asfalto) nosso Jênio resolveu algo mirabolante, juntamente, imagina-se, com sua equipe de bem remunerados e Jeniosos Acessores: VAMOS TOMAR UM EMPRÉSTIMO!

Ah, que ótimo: tudo quanto é município do Brasil catando dinheiro no Governo Federal de graça e nós fazemos o que? Tomamos um empréstimo! Para ter que PAGAR! E COM JUROS!

Vai dizer que vocês  também não se sentem uns idiotas por não terem tido essa hidéia jenial antes, hein, hein?

Bom, mas também, cagada das boas não se faz sozinho né?

Para essas coisas acontecerem (empréstimo) parece que precisava de uma tal autorização da câmara de vereadores.

E ele, nosso Jênio, foi lá pedir. Mandou uma lei pra ser votada.

Era nossa chance de escapar. Afinal, 9 vereadores, tem uns até bem formados e, dizem, outros que são inteligentes... Pensamos: Arrá!! Lá eles vão mostrar pro prefeito que ele tá errado.

Ledo engano: 7 x 1 pro Quartinho. Tá grandão! Pra nós, seria um "Perdeu, Mano!", como diria um corintiano de passagem por TC.

Admiro os vereadores da situação (PP e PTB). Fidelidade é tudo em política. Mas, deve ter sido difícil fazer malabarismos lógico-verbais para concordar com o prefeito.

Não assistimos as sessões da câmara, ninguém mais da equipe topa ouvir, todos trazem atestados de psico-endocrinologistas que identificaram na fala empolada do presidente (que, dizem, fala x+ydo tempo) o agravamento de suas úlceras... Então, não tem como exigir que alguém ouça...

Mas lá, então, na casa do povo, foi 7 x 1. Situação, ok! Mas, e a oposição? Não eram 4? Como é que sobrou só UM? Lemos por aí que alguns foram contra, mas votaram a favor.  COMO É QUE É??

Qualquer hora, algum destes muitos cursos frequentados por nossos vereadores poderia ter a seguinte temática: “Quando sou a FAVOR, como devo VOTAR? E quando sou CONTRA, faço O QUE?” Como se vê, seriam muitos dias de curso, temática complexa pra c...

Mas, se salvou um da oposição: Marcelo, o Scheffer, não o Tiradentes.

Vereador: muito provavelmente, neste espaço, discordaremos ainda MUITO de suas posições e atos. Mas uma coisa o senhor ensinou aos demais opositores “mela-cueca”: SE É RUIM, SOU CONTRA. SE SOU CONTRA, VOTO NÃO!

No mais, vamos adiante que agora vai ter mais um “boleto” pra pagar no fim do mês.


                Hasta La Vista!

24 de jul. de 2013

Papa é um Feliciano com muito mais poder e o apoio da Globo




Homofobia, machismo, apego ao dinheiro, religião interferindo no Estado. Os motivos que inspiram o “Fora Feliciano” se aplicam ao papa. Com o agravante de que ele é bem mais poderoso.



Os evangélicos estão sendo injustiçados. O tsunami de críticas que atingiu Marco Feliciano, Silas Malafaia e demais líderes evangélicos fundamentalistas se aplica ao papa Francisco e à Igreja Católica. Explico: as mesmas bandeiras conservadoras levantadas pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos do Congresso estão no centro da atuação da igreja católica há séculos. E o argentino Mario Bergoglio, agora chamado de Francisco, comunga destes ideais e não se mostra disposto a alterá-los. Pelo contrário.

Vamos por partes:

Primeiro, a homofobia
Muito se reclamou da atuação de Feliciano contra os direitos fundamentais dos homossexuais. A coleção de frases e a atuação do pastor não deixam dúvidas quanto à sua posição. Como é sabido, a igreja católica igualmente condena a homossexualidade, e considera pecado o amor da população LGBT.

O próprio Francisco, pessoalmente, demonstra preocupação com o que chama de “lobby gay” no Vaticano. Conforme revelou o site católico Reflexión y Liberación, o pontífice afirmou o seguinte em uma audiência recente com a diretoria da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos: “Na Cúria há gente santa de verdade. Mas também há uma corrente de corrupção, é verdade. Fala-se de lobby gay, e é verdade, ele está aí… temos que ver o que podemos fazer”.

Segundo, os direitos da mulher
Em entrevista para o livro “Religiões e política”, o deputado do PSC-SP afirmou o seguinte: “Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo; [assim] você destrói a família, cria-se uma sociedade só com homossexuais, e essa sociedade tende a desaparecer, porque ela não gera filhos”.

A igreja católica sempre tratou a mulher de forma diferenciada. A começar pelo fato de que elas não podem ser ordenadas. Aos homens (padres) cabe orientar os fiéis, ditar os rumos da igreja e do mundo. Às freiras cabem tarefas como cuidar dos enfermos e necessitados e, por exemplo, cozinhar, lavar e passar para o “homem simples de fala mansa” que está entre nós.

Mais: estão sendo distribuídas 2 milhões de cópias de um Manual de Bioética (em PDF) durante a visita do papa ao Brasil, sendo quase a metade da tiragem a versão em português, segundo informações da Confederação Nacional de Bispos Brasileiros. De suas 72 páginas, praticamente a metade traz pilhas de informações “científicas” e julgamentos morais contra o aborto. O restante divide-se entre a condenação de pesquisas com células-tronco, a condenação da inseminação artificial e a condenação da eutanásia.

O direito sobre o próprio corpo, uma questão que o movimento feminista do mundo todo considera vital desde a década de 1960, é classificado como “crime” em diversos pontos do texto. De acordo com o manual, mesmo em caso de estupro ou de inviabilidade do feto, a interrupção da gravidez não pode ser sequer aventada: “O direito de matar o próprio filho não pode ser fonte de liberdade nem de realização pessoal”. Todos os métodos contraceptivos, pílula e DIU inclusive, são considerados abortivos e criminosos.

Em terceiro lugar, o apego ao dinheiro

Causou espécie um vídeo que circulou recentemente, no qual o pastor Marco Feliciano pedia a senha de um cartão de crédito para um fiel, dizendo que, caso a senha não fosse revelada, “o milagre não viria”. Costuma ser igualmente criticada a cobrança do dízimo por parte de igrejas evangélicas –como se a igreja católica não o fizesse.

Tudo isso, contudo, é esmola perto do patrimônio misterioso e incalculável da igreja católica. A revista Exame fez umareportagem bastante reveladora sobre o Banco do Vaticano. Entre diversos casos de lavagem de dinheiro, escândalos sexuais, corrupção e má administração relatados pela publicação, destaco uma informação: o banco gere cerca de 6 bilhões de euros em ativos. Vou repetir: 6 bilhões de euros.

Isso sem contar as milhares de propriedades da igreja católica ao redor do globo todo. Não sou um estudioso do cristianismo, mas acredito que valores como ajuda ao próximo, desapego e amparo aos pobres não combinam com a acumulação de fortunas dessa grandeza. Mesmo que o chefe da instituição prefira andar num fiat “sem luxo” e dormir num “quarto simples”.

Em quarto lugar, a promiscuidade com o poder público

Muito se critica Feliciano e a bancada evangélica por usarem o poder público que detêm para obter vantagens para suas instituições. O que afronta o conceito de estado laico. O catolicismo faz o mesmo.
O amplo uso de estruturas e verbas públicas durante a visita de Francisco; o mesmo lobby para isenções fiscais e outras benesses financeiras; a mesma submissão dos governantes (de Dilma ao vereador de Pindamonhangaba). Mais: há crucifixos em repartições públicas (desrespeitando os evangélicos, inclusive) e mensagens religiosas nas notas de dinheiro, que são um símbolo nacional. E por aí vai. (Parênteses: pedofilia)

Aqui não há o paralelo com Feliciano, mas vale lembrar das inúmeras acusações de abuso sexual contra padres no mundo inteiro, muitas cometidas contra menores e encobertas pelo Vaticano. A situação é tão grave que a ONU pediu, agora no começo de julho, esclarecimentos sobre os crimes cometidos por padres em todo mundo. Como o vaticano é membro das Nações Unidas e tem a falta de transparência como uma de suas marcas, a ONU quer saber o que a Igreja Católica têm feito de efetivocontra os criminosos que foram descobertos em suas fileiras.

Por fim, o apoio da mídia

Aqui, uma das maiores injustiças com Marco Feliciano. O pastor é hostilizado por todos, TV Globo inclusa. Suas posições, conforme demonstrado, são irmãs siamesas das defendidas por Francisco e pela religião que comanda. E dos dogmas vindos de Roma ninguém reclama.

Pior: a maior TV do país (bem como quase todos os outros veículos de imprensa) ajoelha-se ao mandatário da tv católica. E não acredito ser esta uma decisão baseada somente pela audiência. A missa de domingo está na grade da Globo há décadas –atualmente é celebrada ao vivo pelo Padre Marcelo. E a emissora, apenas recentemente, de olho na perda de audiência e de dinheiro, começou um flerte institucional com os evangélicos, inaugurado com o festival de músicas gospel Promessas.

Pare finalizar, deixo vocês com algumas frases do primeiro bloco do Jornal Nacional desta segunda-feira. Tentem imaginar Marco Feliciano ou qualquer outro líder evangélico sendo tratado desta forma pelo noticioso visto por quase metade da população brasileira toda noite:

“De papamóvel, fez um passeio que vai ficar na memória dos fieis”
“Distribuiu simpatia”
“Mais perto do povo, do jeito que o papa Francisco gosta”
Fiel: “Foi um presente de Deus, eu consegui estar perto dele e pude constatar que ele realmente é esse pastor humilde, amigo do povo e que veio pra resgatar mais fieis pra igreja católica”
“Deixou uma legião de fieis encantados”
“Santo, abençoado, humilde… os elogios vão brotando”
Fiel: “Ele é gente como a gente”
“A cada esquina ele faz novos amigos”
“Os gritos pareciam saídos de um show de rock”
“Se fosse só isso, já valeria a pena, e o papa Francisco acabou de chegar”.

16 de jul. de 2013

Secretária e arquiteta são sabatinadas na Câmara

Do site da Rádio Plenitude FM:


Data: 15/07/2013
Atendendo o convite do presidente da Câmara de Vereadores de Três Cachoeiras, Flavio ‘Ratinho’, a secretária da Administração, Carla Réus - acompanhada da arquiteta Elisangela Santos, do Setor de Engenharia - responderam perguntas e falaram durante uma hora e vinte e cinco minutos sobre a emenda de R$ 300 mil para a quadra poliesportiva ao lado da escola Angelina Maggi.

Apontando falhas no projeto original a secretária afirmou que não havia previsão orçamentária para dar a contra partida da obra. Garantiu que fez de tudo para não perder os prazos e cumprir as exigências da Caixa, inclusive, abrindo processo de licitação sem autorização da mesma. Por fim, Carla denunciou o sumiço de projetos do Setor de Engenharia e que outras obras do governo Edson estavam com erros nos projetos.

Trechos da fala de Carla Reus:

“O primeiro projeto não bateu com o memorial e com o orçamento. Os 40 mil da contra partida inicial não estava orçado para 2013...O projeto original não previa terraplanagem...Não achamos cópias de vários projetos nos arquivos da prefeitura, nem impresso e nem no computador. Isto dificultou dar sequencia nas alterações exigidas pela Caixa...Cometi um erro, mandei licitar a obra sem autorização da Caixa...Faltou boa vontade da Caixa. Se tivesse tirado a suspensiva a obra saia...Muitos prefeitos da região estão descontentes com a morosidade do órgão...Xangrilá perdeu mais de R$ 1 milhão”

A arquiteta Elisangela acredita que as administrações, anterior e atual, não mediram esforços para realização da obra. “A Caixa cobrou muitos detalhes. Tudo tinha que ser numerado. Eram coisas mínimas. Pareceu-me ordem superior em dificultar a liberação do dinheiro. Foram 50 municípios que saíram prejudicados com a perda de recursos”. 

9 de jul. de 2013

ESTAMOS DE VOLTA

Estamos "No Ar" novamente. Achamos que não seria justo ficarmos de fora dos gloriosos debates feicebuquianos. 

https://www.facebook.com/branca.leone.395

Só amigos de verdade, os traíras que nos tiraram do ar não serão aceitos, pelo seu alto índice de ordinariedade.

BNB.

TC ON LINE

5 de jul. de 2013

"CALEM-SE! Vocês não votaram em nós."



"Não pervertam  o jovem! Não  os encurralem. Não os desacreditem"

Este blog custou a se convencer. Mas tem momentos que o óbvio supera a esperança de se estar enganado. E tínhamos esperança. Se sua memória anda fraca, CLIQUE AQUI

Não foram poucos os momentos recentes da história de TC em que os atuais donos do poder mostraram sua verdadeira face: estão se lixando para os ideais democráticos.

Neste espaço mesmo (blog) uma blitzkrieg virtual nos tirou do facebook, visto que estávamos lhes incomodando. De que forma incomodávamos? Falando sobre o que não queriam que fosse falado num meio que chega a muitas pessoas, as redes sociais.

Naquele momento, avaliamos que tratava-se de atos de correligionários, simpatizantes de alguns partidos (ou do governo) que se forma isolada se movimentavam para nos "tirar do ar". 

Nós, ou qualquer outra voz destoante do "pensamento único" que se pretende implantar por aqui.

Entretanto, nos recentes episódios das manifestações dos alunos do Colégio Angelina, algo ficou claro: não é possível discordar, cobrar, questionar.

Num dia, em que foram os alunos até a escola, munidos de microfones e deram a palavra ao "grande guia" para que dissesse o que lhe convém, ACEITOU-SE O MOVIMENTO.

Entretanto, no outro dia, um grupo também de alunos, foi até o mesmo local, e falou com a mesma pessoa, porém, para cobrar-lhe explicações, ou questionar-lhe a forma de gerir a coisa pública: NÃO ACEITOU-SE O MOVIMENTO.

E como é que se faz isso? Tentando desqualificar os cidadãos que, DEMOCRATICAMENTE, lhe questionam os atos. Afinal, como cidadãos, tem esse direito, ou não tem?

Para nós, a não aceitação da crítica (ato que reputamos antidemocrático) AGORA, se materializou também no governo. Como dissemos, pensávamos tratar-se de atos isolados de simpatizantes do  governo e do partido.

Mas, quando uma secretária de governo, acompanhada do prefeito, aponta o dedo na cara dos estudantes dizendo-lhes que só estão ali porque votaram em outro candidato e perderam a eleição, aí, neste momento, o governo parece ter assumido a postura que pensávamos ser apenas de correligionários do prefeito.

Em TC, atualmente, qualquer "vírgula" de crítica abafa-se com o tradicional "dor de cotovelo por ter pedido a eleição". 

Básico: sem argumentos, desqualifica-se o cidadão. Tira-lhe o direito. Ou passa-se o direito ao tal "munícipe" que até hoje ninguém sabe quem é.

Senhores, CRIEM VERGONHA NA CARA! 

A eleição passou! Governem para o município, para os concidadãos, para o povo! Tenham respeito! Tenham Educação! 

E mais, não pervertam o jovem! 

Não os encurralem, não os desacreditem! 

Ouçam com sabedoria, ensinem-lhes o que significa bem comum, governo de todos, coisa pública. Ensinem-lhes que o que é público não se pode misturar com o privado. Ensinem-lhe que voto não se vende, não se troca por cargos, não se barganha!

Há muito o que ensinar. E nada melhor do que ensinar com atos. Com exemplos.

O pensamento único, a verdade absoluta, não condiz com ideais democráticos, pois nele, não se pode discordar dos detentores da verdade absoluta. 

Mas, enfim, o que esperar de agremiações políticas que foram suporte do maior período de trevas políticas no país no período da ditadura militar?

Nada de novo, sob o sol dos trópicos, caros leitores.

Quartinho, para nossa decepção, não deixou de ser quartinho, como esperávamos. Não sabemos se por obra dele mesmo, ou por força dos partidos que lhe sustentam.

Fato é que, percebemos, tristemente, que em TC está se tentando abafar qualquer voz discordante. Não com argumentos sólidos, mas por atos que beiram a sandices ditatoriais.




2 de jul. de 2013

ALUNOS DO ANGELINA: GINÁSIO POR ÁGUA ABAIXO


Ao contrário de 99% dos municípios brasileiros, acreditamos que Três Cachoeiras esteja nadando em dinheiro.

Nesta terça-feira, 02/07, algumas dúzias de estudantes foram em passeata até à frente da prefeitura para reclamar quanto a um recurso perdido pela prefeitura, no valor de R$ 300.000, para a construção de um ginásio no centro, próximo ao colégio Angelina.

Segundo contam, Quartinho tomou uma vaia pra não esquecer, quando foi querer explicar o inexplicável.

Segundo informações, hoje o prefeito quartinho e seu secretário de obras estavam vistoriando obras de esgoto no centro (ou seja, cuidando da m... alheia). 

Enquanto fazem o que não deviam (pois prefeito e secretário não precisam pegar em picareta) se distraem e acabam perdendo prazo para encaminhar meia dúzia de papéis para receber R$ 300.000! Numa obra que viria a beneficiar a comunidade e a Escola.

Olha, se contar em outro lugar, ninguém acredita...

Alguém tem que avisar lá que, para cavar buraco, se contrata operário. Agente político é pra governar, planejar, pensar, de dentro do gabinete, e não deixar uma barbeiragem dessas acontecer.

Será que esses senhores não percebem que máquina burocrática (produtora de "papéis" como os que faltaram) custa bem caro e o cidadão gostaria que, no mínimo, ela fosse eficiente?

Infelizmente, chega-se à constatação que o tal aumento de salários aos secretários (44% - para mais de R$ 4.000) não trouxe nenhuma eficiência ao nosso cambaleante município. E nem vamos falar do salário do prefeito, batendo na casa dos R$ 10.000...

Quando do aumento, justificava quartinho e seu séquito de iluminados que, para se ter gente eficiente, precisava pagar bem. 

Pois se vê que de nada adiantou. Parece que continua um monte de gente "mais ou menos" guiando o município.

Mas, não se preocupem. nas próximas horas, como nada sabe explicar, o prefeito enviará o dr. falastrão até a rádia (e ganhará todo espaço dos amigos) para tentar jogar a culpa em alguém.

Preparem os penicos... ou melhor, os ouvidos.


21 de jun. de 2013

CPI da “Patrola”: protesto!

Conteúdo de  coluna de opinião do  Jornal O  Fato em Foco

Até que enfim alguns brasileiros estão usando o "feicibúqui" para algo útil: as manifestações pelo Brasil a fora é prova disso. Segundo os conservadores, nas grandes cidades sempre tem um bando de jovens que não tem o que fazer. Aí vão para rua fazer baderna e protestar pelo que nem sabem! Para os conservadores nosso país é perfeito. Pra eles. 

O resto que se dane! 

Para o sociólogo espanhol Manuel Castells o modelo de democracia representativa já era. Reafirmou isso no "Fronteiras do Pensamento", ciclo de conferências anual que reúne a "elite intelectual" do Rio Grande do Sul (ocorre em outras cidades também). Segundo Castells, o sentimento de indignação e revolta diante de uma injustiça provoca a articulação das pessoas pelas redes. Já que nossos "representantes" não nos representam o que resta é protestar.

A cidade de Três Cachoeiras não é um grande centro urbano, é verdade. Mas seus cidadãos tem a disposição os meios necessários para participar autonomamente. O difícil é fazer circular informação útil nas redes sociais. 

Como as decisões e movimentos políticos, por exemplo. A CPI da "Patrola" é um desses casos encobertos. Custou a sair. Foi instalada essa semana. Pela regra deve ter 3 ou 5 membros. E ter representação de todos os partidos. Nossa Câmara de Vereadores tem os seguintes partidos: PP, PTB, PMDB, PDT E PT. A opção foi por 5 membros. 

Assim, como temos 5 partidos diferentes no legislativo, deveria ser composta por um vereador de cada partido. Deveria! Apareceu um parecer jurídico descabido e enrolado. O PT ficou de fora. Os ditados populares são sempre atuais: "quem não deve não teme".

Como a "cidade que pode mais" é "perfeita" usam as redes sociais para, na maioria das vezes, tolice. Fazer circular informação que interessa e fiscalizar a política e suas determinações é bobagem. O legal é fazer circular "fotinhos", "curtir" babaquices, xingar, despejar raiva e ignorância. Como instrumento útil de mobilização social e divulgação de verdades pouco é usado. Passar da indignação pessoal à ação coletiva é um processo de comunicação. E as redes estão aí também para isso. 

Mas não pode ficar apenas no virtual. Tem que aparecer nos espaços públicos. Conclui Castells que "se querem modificar políticas, não basta somente as críticas na internet. É preciso tornar-se visível, desafiar a ordem estabelecida e forçar o diálogo".

Ministério Público deve Investigar ?

Dr.Ivam Roque Sá Brocca - Presidente da OAB/Torres


A idéia de que esta PEC 37, caso aprovada, caracterizará a impunidade, não passa de perfumaria, uma vez que ela não retira nenhum poder de diligência do Ministério Público, como alegam. Aliás, é bom que fique bem claro que, sendo o Ministério Público titular (autor) das ações penais públicas incondicionadas, ou daquelas  condicionadas a representação pelo ofendido, terá ele, MP, na feitura da denúncia, e depois dela, durante a instrução do processo, o mais amplo direito de pedir tudo o que for pertinente ao aclaramento dos fatos, o que, em regra, é uma forma investigativa. Daí, então, que não há nenhum prejuízo, como afirmam os populistas de plantão, em desfavor da punidade. Mais, sendo o MP parte autora da ação penal, convém lembrar que não é seu papel investigar, sob pena de não necessitarmos, em  seqüência, do juiz, do Advogado, ou seja, estará abortado o devido processo legal. 

Mais, ainda, antes que o cidadão comum se embriague com esta idéia de não aprovação da PEC 37, imagine-se por um segundo sendo réu em uma ação penal em que, além da já legalizada investigação das Polícias Judiciárias (Polícia Civil e Federal), haja, ainda, a santa inquisição pretendida com a rejeição da PEC, onde o MP, por certo escolherá a prova que melhor se afeiçoa para o estilhaçamento da figura do réu, porquanto, em nenhum, nessa eventual rejeição da PEC 37, estariam contemplados o direito de participação da defesa. Então, observe-se que não há nenhuma maravilha, caso seja rejeitada a PEC.

Ademais, vamos considerar que se a aberração da rejeição ocorrer, preparem um custo bem alto para o bolso do contribuinte, porque o MP, obviamente, terá que aumentar, em muito sua estrutura para se arvorar a condição de investigador.

Nessa mesma senda, façamos outra reflexão: Não é muito mais prático investir na estrutura policial, que só não faz melhor porque vem enfraquecida há anos, e é quem já dispõe desta prerrogativa constitucional. Portanto não acreditem nessa demagogia que PEC 37 é a PEC da impunidade, porquanto, definitivamente, não a é. 

Chega desse jogo midiático e que a PEC 37 seja aprovada com sua redação original. A OAB Nacional é favorável a aprovação, os maiores juristas são favoráveis e, principalmente, o devido processo legal reclama pela aprovação.
  

3 de jun. de 2013

O Canibalismo Comunista da Veja

"Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li."
Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo em 24.05.2013


Praticamente nenhuma pessoa séria leva a revista Veja a sério. Sabe-se que é uma publicação humorística. Faz um humor meio sem graça, apelativo, rasteiro, como é o humor dominante na mídia brasileira atual. Mas há um traço de original nesse humor: ele é ideológico.

Nesta semana, porém, Veja caprichou no ridículo. O texto “Os ossos do socialismo” é uma obra-prima de charlatanismo, de reacionarismo delirante e de besteirol histórico. Segundo o repórter, que assina a matéria, há uma relação direta entre canibalismo e comunismo. Em 1609, os primeiros colonos ingleses instalados em Jamestown, na América, loucos de fome, comeram os seus semelhantes.

Arqueólogos descobriram os ossos de Jane, vítima do canibalismo dos seus parceiros de aventura no Novo Mundo. A revista Veja não tem a menor dúvida: “Jane foi devorada por seus pares como consequência do fracasso do modelo de produção coletiva implantado nos primeiros anos da colonização dos Estados Unidos. A propriedade era comunitária, e o fruto do trabalho era dividido igualmente entre todos. Era, portanto, uma experiência que antecipava os princípios básicos do comunismo. Deu no que deu”.

Uau! A cadeia estabelecida é imperativa: o coletivismo levou à preguiça, que levou à improdutividade, que levou à fome, que levou ao canibalismo. A saída viria com a propriedade privada. É reportagem para prêmio Esso de estupidez. Longe de mim defender o comunismo. O buraco é mais embaixo. Vejamos.

O autor tem a segurança dos tolos encantados com o lugar que ocupam na escala social: “Se não fosse o sistema fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto”.

Todos os demais aspectos de adaptação e de conjuntura são desconsiderados. O reducionismo ideológico surge como uma iluminação. A solução chega com um novo administrador, que impõe à propriedade privada: “A decisão despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição”. Disso teria decorrido que, em 1775, os americanos “já eram mais altos que os ingleses”.

Tem gente batendo os dentes nos consultórios de dentista, onde Veja é campeã de leitura, de tanto rir. É um riso nervoso.

Nem os primatas do Pânico fariam melhor.

Para a pragmática revista Veja, no coletivismo, entre trabalhar e comer seus semelhantes, as pessoas escolhem a segunda opção. Um colono comeu a esposa grávida. Veja, enfim, descobriu a origem da expressão “comunista comedor de criancinha”.

Na verdade, encontrou algo mais grave, o comunista comedor de feto. Sem contar que Duda Teixeira chegou ao elo perdido, a origem sempre procurada do capitalismo, o estalo: “Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que colonos caíram na selvageria que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno”. O capitalismo nada mais é que uma reação ao canibalismo comunista. Agora é científico.

Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li.

31 de mai. de 2013

CORPUS CHRIST: O DIA DO TORTURADO

O TC ON LINE reproduz texto de Mauro Santayana, publicado no JB online:



por Mauro Santayana
 
A celebração católica do Corpo de Cristo não faz lembrar apenas a Última Ceia e o rito de fé da Eucaristia. Recorda, à margem da liturgia, os açoites, o corpo agonizante de Cristo preso à cruz e os insultos dos soldados romanos, ao feri-lo com a lança, avinagrar os lábios sedentos e a disputar, nos dados, a túnica do morto. A prisão, o açoitamento, a coroação de espinhos, a escalada do Calvário, são atos continuados de tortura, infligida a um prisioneiro político do Império Romano e, além disso, acusado de heresia diante da religião vigente na Palestina. Não faria mal à Igreja se viesse a considerar esse dia de ofício religioso também como o Dia do Torturado.

Não é provável que ela vá tão longe, quando há, em sua História, atos semelhantes de ignomínia, na Inquisição Espanhola e nos tribunais do Vaticano, que condenaram, entre outros, o grande pensador Giordano Bruno à fogueira. Mas nada impede aos verdadeiros cristãos lembrar, na mesma data, os que foram assassinados, sob tortura, no mundo inteiro, por suas idéias e seus atos. Embora a mensagem cristã recomende o perdão, a condição humana recomenda a resistência política e o desprezo contra os torturadores.

Assumir o corpo de Cristo, no ato da Eucaristia, é assumi-Lo em sua grandeza maior, na escolha que Ele faz, de absorver, na carne e na alma, a Humanidade sofredora de seu tempo e, no mistério da Fé, a Humanidade de todos os séculos. É, na visão teológica, a contrapartida simbólica da entrega de Cristo ao martírio. Os que são torturados, humilhados e mortos nas masmorras, na defesa de seu verdadeiro evangelho, vivem, em sua agonia, a plena e absoluta Eucaristia.

O mundo de nosso tempo não é muito diferente daquele de que falam os evangelistas. Havia ali a presença de um império mundial, com seus interesses. Havia ali um governo títere, imposto pelos romanos, e delegados do dominador, como o representante do Consulado, com seu pró-cônsul, ou seja, um governador da potência colonizadora. Hoje, as coisas são um pouco diferentes. Como estamos vendo, na divulgação de documentos norte-americanos, em nosso tempo o pró-consulado é exercido pelos embaixadores, com a assessoria ativa de seus adidos militares.

Na cumplicidade com os interesses imperiais, há a permanente guerra interna dos poderosos contra os débeis. Nas delegacias policiais e presídios, longe de testemunhas, homens e mulheres continuam a ser torturados por agentes do Estado. Acusados de delitos comuns, não têm os que podem denunciar o seu sofrimento, nem lhes prestar a mínima solidariedade. Raramente os fatos chegam ao conhecimento do Ministério Público. E nem se fale das execuções sumárias, registradas oficialmente como legítimo exercício da força policial contra a resistência “armada” dos suspeitos.

O Dia do Torturado deve ser o da Memória, com a localização dos mortos e o sepultamento digno, sob a cruz e com as lágrimas dos enlutados – como foi o de Jesus, entregue aos seus familiares. A memória nos servirá para evitar a volta do carrossel diabólico e fortalecer a esperança de que não haja mais o sofrimento dos torturados. O  seu martírio não pede vingança, mas a vigilância contra os golpistas de sempre e pela construção da paz.

29 de mai. de 2013

OS DONOS DO PODER

Reproduzimos, mesmo sem autorização, por entendermos oportuno.

Eduardo Mattos Cardoso
Professor Mestre em História
           
O título de hoje faz referência a uma obra essencial para a História, a Sociologia, a política e o Direito, entre outras áreas do conhecimento: Os donos do poder. Formação do patronato político brasileiro, de Raymundo Faoro. O original é de 1958, ano que os intelectuais brasileiros descobriram Max Weber. Mais de meio século se passou, mas o livro de Faoro além de instigante é instrumento importante para entendermos nossa sociedade atual.
 
Faoro foi na contramão da interpretação marxista da sociedade. Nem tudo se explicaria pela luta de classes. Segundo o autor, um sistema de forças políticas paira acima das classes. E é representado por uma camada de pessoas influentes que muda e se renova, mas não representa a nação, muito menos o povo. A herança portuguesa que viajou até Getúlio Vargas (período estudado por Faoro), e que se estenderia seguramente até hoje mantém o patrimonialismo estatal, os olhos voltados para a especulação, o lucro e a aventura.
 
Para Faoro, “o poder – a soberania nominalmente popular – tem donos que não emanam da nação, da sociedade, da plebe ignara e pobre. O chefe não é um delegado, mas um gestor de negócios e não mandatário. O Estado, pela cooptação sempre que possível, pela violência se necessário, resiste a todos os assaltos, reduzido, nos seus conflitos, à conquista dos membros graduados de seu estado-maior. E o povo, palavra e não realidade dos contestatários, o que quer ele? Este oscila entre o parasitismo, a mobilização das passeatas sem participação política e a nacionalização do poder […] A lei, retórica e elegante, não o interessa. A eleição, mesmo formalmente livre, lhe reserva a escolha entre opções que ele não formulou”.

A classe social negocia. É questão de economia. O estamento é uma camada social que governa. Para Faoro, “o estamento político é aquele em que os membros têm consciência de pertencer a um mesmo grupo – qualificado para o exercício do poder – e que se caracteriza pelo desejo de prestígio e honra social”. 
 
Trazendo essas reflexões para a “cidade que pode mais”, podemos dizer que qualificado não quer dizer o melhor, mas sim qualquer um desde que faça parte do grupo. Pode ser uma marionete. Nesse sentido, a exploração sistemática de cargos – os cargos são para os homens, e não os homens para os cargos – caracteriza a apropriação do que é público, cujo objetivo é a obtenção do máximo proveito possível. 
 
Em Três Cachoeiras os “donos do poder” aperfeiçoaram: conciliação e pressão. Mas tudo bem, as cidades têm seus equívocos.